Isto não é um Diário

Zymunt Bauman, polaco de naturalidade, escreveu uma obra à qual dá o nome de Isto não é um Diário – apesar de efetivamente aparentar ser um. A obra foi publicada em 2012 no Brasil e traduzida por Carlos Alberto Medeiros. Famoso devido ao seu pensamento eclético, Bauman integra, nesta obra, as suas (in)satisfações acerca da vida. Em traços gerais, a obra é composta por pequenos fragmentos que abrangem reflexões sobre os mais diversos temas, transformando aquilo que aparentemente parece um diário em pequenos textos reflexivos.

Tal como refere na obra, Bauman não consegue pensar sem escrever e é nesse contexto que esta obra ganha quase a forma de um diário, que aborda os problemas sociais da vida contemporânea. No início – em 2010 -, Bauman debruça-se sobre o sentido e a falta de sentido da escrita de um diário. O texto, escrito na primeira pessoa, reflete as inquietações de Bauman ao explicar o que pensa, afirmando o próprio que aquilo que o motiva a escrever é a ausência da sua esposa, com quem foi casado durante 62 anos, algo que lhe traz ao de cima a necessidade de se exprimir através das palavras como que se de um diálogo – com a esposa – se tratasse.

Segundo o autor, a contemporaneidade traz consigo a naturalização das mentiras e, consequentemente, a aceitação de que as pessoas não são de confiança – algo que percebeu através da vida política, ao ver que é praticamente impossível confiar que aquilo que é prometido é efetivamente cumprido.Segundo Bauman, o espectro da mentira assombra tanto o mundo online como offline, fazendo referência à quantidade de mentiras que são publicas nas redes sociais e nos mais diversos sites e acreditando que estamos afundados numa sociedade marcada pela incerteza.

Refletindo sobre as condições de vida dos jovens hoje em dia, tendo em conta a era de consumismo que atravessamos, Bauman considera os jovens como “terras virgens” relativamente ao mercado. Neste sentido, a publicidade é maioritariamente dirigida a este público, já que estes vêm o consumo como sinónimo de inserção social, no sentido de pertença. Ampliando ainda esta discussão sobre o consumismo, o autor mostra que um dos fatores que mais interessa aos que vendem e promovem o consumo é o tempo – quanto menor tempo o consumidor “perder” até se desfazer de um produto, mais vantajoso sai o mercado. É neste contexto que há muitos produtos que têm prazos de validade muito curtos, ou são mesmo construídos com um nível de qualidade inferior. Sendo que esta ideia segue a lógica da sociedade de consumo, pode afirmar-se que tudo deve ser imediatamente consumido e deitado fora, para que o dinheiro não estagne e se mantenha em permanente rotatividade. O ideal é que as pessoas não parem nunca e consigam andar, comer, falar e estudar – tudo ao mesmo tempo.

Na obra é possível encontrar uma associação de pensamentos entre Bauman e Saramago, bem como é de fácil identificação a associação a jornais como o New York times e o Le Monde, a partir dos quais o autor reflete os temas neles contidos.

“Qual é, afinal, a diferença entre viver e contar a vida? Não faria mal aproveitar uma dica de José Saramago, fonte de inspiração que descobri há pouco tempo. Em seu próprio quase-diário, reflete ele: “Creio que todas as palavras que vamos pronunciando, todos os movimentos e gestos, concluídos ou somente esboçados, que vamos fazendo, cada um deles e todos juntos, podem ser entendidos como peças soltas de uma autobiografia não intencional que, embora involuntária, ou por isso mesmo, não seria menos sincera e veraz que o mais minucioso dos relatos de uma vida passada à escrita e ao papel”

Na conclusão da sua obra, Bauman baseia-se num texto de H. G. Wells, comparando os seus pensamentos, tendo como base uma ideia de deslocação – Wells no contexto da Primeira Guerra Mundial e Bauman ao longo de toda a sua vida, de várias formas. É possível perceber, com isto, que Bauman mostra não só as suas inquietações como as suas fragilidades pessoais. Ao terminar com a partilha do pensamento de Wells sobre as transformações no mundo e as mudanças na sociedade, Bauman mostra a sua vontade de ver acontecer uma sociedade livre, onde todos têm perspetivas de autorrealização e saúde, não havendo mais escravos, pobres ou pessoas inferiores a outras. Algo pelo qual vale a pena sempre continuar a lutar, segundo o próprio.

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Conteúdo Visual – logótipos

Pegando nas ideias apresentadas anteriormente, sabemos que o conteúdo visual é não só a criação de uma ligação com os públicos, mas também o primeiro passo a ser dado na construção da reputação – neste sentido, e tendo em conta que aquilo a que desde logo associamos uma marca é ao seu logótipo, este surge como um “assunto delicado” sobre o qual é necessária uma extensa investigação sobre como adequar os valores da organização àquilo que pretende passar visualmente.

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O logótipo de uma organização é um símbolo percetivo, quase como que uma expressão simbólica que representa a personalidade da organização. Neste sentido, podemos dizer que a identidade visual surge como uma representação gráfica da identidade corporativa, aliada aos valores da organização. Por muito simples que possa parecer à primeira vista, a criação desta depende de fatores tão singulares como os profissionais que estão responsáveis, as condições do mercado em que a organização se insere, a situação económica, a cultura da organização, o seu posicionamento, a sua imagem, objetivos, foco e missão.

O logótipo surge então como uma “assinatura” da organização perante todos os seus públicos, na medida em que traduz visualmente aquilo que esta representa e faz com que exista uma identificação entre esta e os seus públicos. Caso não exista então um cuidado na criação da identidade visual – e, neste caso, do logótipo -, a organização transmitirá uma ideia de instabilidade – caso se altere por completo o conceito inicial, o que levará a um sentimento de confusão por parte dos públicos; e de falta de credibilidade – caso a identidade visual não transmita uma ideia de “look and feel”, pode passar a ideia de falta de cuidado e preocupação com a forma como a essência da organização é transmitida.

Não investir na criação de um logótipo pode resultar ainda em consequências económicas para a organização – marcas como a Coca-Cola acabam por valer mais do que o seu próprio património. A combinação de elementos como as cores, fontes, espessura dos traços, ícones, etc., acabam por criar um impacto tão grande nos consumidores que ganham cada vez mais – ou menos – valor perante os mesmos, que se fidelizam à marca e quase se recusam a consumir, por exemplo, as marcas de distribuição do mesmo produto comercializado.

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Mas afinal, o que é um bom logótipo? – é aquele que, ao mesmo tempo que tem um visual agradável, significa a marca. Com o passar do tempo às vezes torna-se necessário um “rebranding”, principalmente quando a marca já atua no mercado há bastante tempo ou quando as empresas procuram um reposicionamento ou um novo tipo de relação com o mercado – neste caso, a criação de um novo logótipo surge como um reforço na estratégia de comunicação da organização.

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Pegando na questão da importância da criação de conteúdo visual, este surge então como tudo aquilo que os indivíduos percecionam de forma imediata sobre uma organização, obtendo uma primeira impressão da mesma e percebendo – ou não – os valores que esta transmite ou pretende transmitir a todos os seus públicos, de forma uniforme e coerente, para que não se verifiquem discrepâncias entre uns e outros e para que estes sejam concordantes com aquilo que é a atuação efetiva da organização. É ainda neste sentido que os logótipos ganham importância, já que são o “number one” de uma associação entre um nome e uma imagem – o nome da organização e aquilo que a representa imediatamente (o seu logótipo) -, acrescentando, deste modo, valor à marca.

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É no sentido daquilo que esta imagem representa – basicamente, a importância do conteúdo visual: o cérebro retém maior informação caso esta seja visual, processando-a mais rápido que qualquer outro tipo de informação; os indivíduos respondem mais facilmente a informação visual do que a texto; os indivíduos consideram o design o critério número um para avaliar a credibilidade de uma organização; os posts com infográficos geram maior tráfico dos mesmos; os posts no Facebook com fotografias geram maior interação do que os que apenas têm texto, vídeos ou links; os indivíduos passam 100% mais do seu tempo em sites que contém vídeos e estes mesmos indivíduos que vêm vídeos sobre produtos estão 85% mais tentados a comprá-lo. Ora, tendo em conta tudo isto, é fácil concluir que a existência de conteúdo visual e a importância de que este seja eficiente é essencial para a construção não só de reputação como de outputs positivos no que toca à coerência entre aquilo que são os valores da organização e o que é percecionado pelos seus públicos. O conteúdo visual – e particularmente os logótipos que, tal como já foi referido, são o primeiro impacto sentido -, engloba então tudo aquilo que é a organização em si – por tudo aquilo que já foi referido como as cores, fontes, tamanhos de letra, etc., que já por si só são elementos importantes por representarem e se associarem a valores globais e não meramente organizacionais.

Pensando nas Novas Tendências na Comunicação Estratégica, a comunicação visual de uma marca assume grande importância, tendo em conta as informações contidas na imagem anterior, já que a utilização das redes sociais e de novas aplicações que funcionam comunicacionalmente, como a utilização dos emojis nas mensagens de texto, não só capta a atenção de todos os indivíduos que se deparam com a informação como “conquista” os indivíduos, que passam eles próprios a utilizar determinadas técnicas – essencialmente visuais -, tornando todo o conteúdo e perceção do mesmo num processo mais rápido, fácil e automático.

Retomando o pensamento de que para a criação de um logótipo é necessário ter em conta missão, valores, posicionamento, etc., é neste sentido que as RP intervêm, apesar de acabar por ser de uma forma indireta, na criação da identidade visual de uma qualquer organização. Para que esta resulte e seja eficaz naquilo que pretende alcançar, é então necessária a atuação das RP de forma ativa e cuidada, para que não dê espaço para erros no que toca à conciliação entre todos estes fatores e aquilo que efetivamente é a identidade visual da organização – já que esta vai ser percecionada por muitas pessoas diferentes que a vão entender cada uma à sua maneira, acabando sempre por serem afetadas pelo que foi já referido anteriormente, como serve de exemplo a escolha das cores e aquilo que estas transmitem de forma universal e generalizada.

Novo Espaço Público ou Espaço Individual?

Daniel Innerarity nasceu em 1959, em Bilbau. Hoje é Professor Catedrático de Filosofia Social e Política na Universidade de Zaragoza e tem já dez livros publicados, entre eles “O Novo Espaço Público”, que aborda então as mudanças e mutações que a nossa sociedade sofreu em prol de uma nova visão do mundo, das pessoas e das situações. Aquilo a que Innerarity se propõe é tentar explicar essas mudanças e entender o caminho que é preciso seguir para deixar de lado as individualidades e permitir a criação de um novo espaço público.

Hoje em dia é-nos impossível referir o conceito de sociedade sem que este seja automaticamente associado aos conceitos de multiculturalismo e globalização. Segundo o autor, o multiculturalismo não significa que existam cada vez mais estrangeiros “misturados” connosco, mas sim que “está a aumentar a estranheza geral do mundo, a sua imprevisibilidade e a quantidade de novidades e surpresas que nos assaltam”. Por outro lado, a globalização permite-nos uma aproximação tanto no sentido da partilha de informação como em termos físicos de distância. Ao expormos e entendermos estes conceitos, começam a surgir então alguns conflitos que Innerarity enumera, expondo diversos campos – a prática reflexiva, que deve ser o primeiro passo a dar pelas sociedades de forma a reformular o espaço público que se vai destruindo. Neste contexto, é necessário e urgente pensar as novas sociedades.

Perante vários insultos sobre o modelo atual de sociedade, o autor aponta que as sociedades se apercebem das suas mudanças mas estas não são pensadas interiormente, seguindo apenas as opiniões que vão sendo tidas como certas pela maioria, ao mesmo tempo que seguem também os meios de comunicação, que são hoje aquilo que oferece tranquilidade às pessoas, uma vez que as faz sentir integradas num mundo comum – “Do mesmo modo que as tradições constituem um fundo habitualmente não tematizado  de usos e costumes, os meios de comunicação fornecem um senso comum social cuja imposição é dificilmente perceptível.  A agenda dos meios de comunicação equivale, nas sociedades desenvolvidas, à nova tradição: temas, juízos e esquemas estabelecidos como tácitos e comuns”.

Perante o poder e influência destes meios, estamos a viver uma realidade mediatizada pelos meios de comunicação. Hoje, vivemos num espaço onde as mudanças ocorrem de dia para dia e nos é praticamente impossível prever o dia de amanhã. Para os media, a verdade interessa pouco e conta muito o que é novo, atual e conflitual, as quantidades, o local e o escândalo. Vivemos num mundo em segunda mão, no sentido em que os media constituem a mediação universal e fornecem a matéria da nossa realidade – não observam acontecimentos mas observam observações. Para juntar a tudo isto, os indivíduos são cada vez mais seres individuais e heterogéneos . Nas nossas sociedades atuais, é mais fácil identificarmos as diferenças entre nós do que aquilo que nos mantém homogéneos, quando na realidade são os últimos que determinam o nosso discurso coletivo. Neste sentido o funcionamento dos media é exemplar. De alguma forma, a civilização digitalizada está para a cultura urbana como a civilização urbana está para a rural – “Quando se abandona o modelo centro/periferia, quando o centro está em toda a parte, a implantação local muda de estatuto; cada ponto é um centro nas múltiplas intersecções da rede. Cada ponto local implica a rede global; reciprocamente, esta não é nada sem a multiplicidade dos lugares singulares. As sociedades modernas não necessitam de centralidade espacial. É importante compreender isto para conceber o novo espaço público”. Ainda neste sentido, o autor considera que os media estão ainda associados à opinião pública, que considera como a cultura latente que determina os lugares-comuns e estabelece aquilo que são os assuntos públicos. Os media dirigem  a atenção não para aquilo que as pessoas efetivamente pensam mas para aquilo que pensam que as pessoas pensam.

Olhando para a sociedade atual, o conceito de espaço público perdeu a sua força e deixou de ser demarcado. É neste sentido que a discussão entre público e privado ganha sentido, principalmente quando pensamos na construção do tal “novo espaço público”. Por outro lado, perde força, no sentido em que há um reconhecimento da privatização do público e da politização do privado. Hoje, ambos vivem em conjunto e de maneira indistinta, tanto pelos indivíduos como pelas instituições. Atingimos um ponto em que é difícil fazer uma distinção entre o que é publico e o que é privado e sem esta distinção e demarcação, é impossível seguir o modelo tradicional de “espaço público”, já que este deixa assim de ser conceptualizável pelas sociedades de hoje. Vivemos numa era em que a sociedade é segmentada e procura servir os interesses individuais – já não existe uma sociedade como um todo e os indivíduos já não se perspetivam atrás da unidade. Existem sim agrupamentos por interesse.

Também a política está hoje cada vez mais longe do indivíduo que representa – sem a representação, há uma deficiência, na medida em que é impossível resumir numa manifestação as realidades da sociedade. Segundo o autor, “é urgente legitimar a democracia representativa”, já que só com essa legitimação é que a sociedade se pode inscrever na política sem que exista uma totalização de uma maneira de ver e de pensar. Neste modo, é necessário que a democracia instaure um regime de opinião pública de modo a que exista nela mesma o pluralismo. No entanto, Innerarity diz que só atingiremos um consenso se houver uma reflexão sobre todas as mudanças que aconteceram na sociedade e nos trouxeram aos dias de hoje. Apenas com isso poderemos ter voz sobre aquilo que será o espaço público do futuro.

É urgente reconhecer diferenças, sem totalizar nenhum ponto de vista nem aceitar umas em prol de outras, de forma a que todos se integrem com o fim único de chegarmos ao conceito de Humanidade. Assim, é necessário desvalorizar diferenças e abrir caminho à pluralidade cultural para que seja possível atingir a maturidade que, para Innerarity é vista como “a aquisição pelo sujeito da consciência da sua particularidade, o descobrimento de que as nossas formas de entender o mundo ou de atuar sobre ele são contingentes e, em alguma perspetiva ou para algumas pessoas, estranhas e até ridículas”. É necessário um confronto de perspetivas, para que o encontro entre culturas aconteça e seja aceite por unanimidade. Não são as diferenças que têm de desaparecer, mas é necessário aumentar as perspetivas de cada um – “para perceber outras realidades, basta que exista a possibilidade de observar as coisas de outra maneira”. Esta inovação é necessária para a criação do novo espaço público: a transmissão da relatividade, a abertura ao estranho e ao desconhecido, a urbanidade como meio para a interação – apenas com o acontecimento efetivo de tudo isto o caminho para a unanimidade será aberto e percorrido.

 

Desregramentos ou individualidades?

Na sua obra “Um mundo sem regras”, Amin Maalouf refere-se ao presente século como um século de acontecimentos inquietantes, que deixam para trás as regras convencionais, provocando um sentimento de inquietação e preocupação sobre aqueles que vêm os seus ideais desaparecer e apenas se conformam, não fazendo nada para alterar esse rumo. O grande objetivo de Maalouf é justificar, ao longo dos três capítulos, esses mesmos receios que sente ao olhar para o mundo de hoje.

O autor, tão ocidental quanto árabe – de origem libanesa -, defende uma reinvenção urgente do mundo, dizendo que “ou morremos juntos, ou nos salvamos juntos”, sublinhando a necessidade de cada cultura participar nessa mesma civilização, não podendo existir direitos do Homem para a Europa e outros para África – “preservar culturas, mas unificar os valores”, é o ideal que tem de ser seguido. Sendo o seu tom de urgência constante e bastante visível, a sua visão algo pessimista do mundo atual é “salva” por alguns momentos de esperança no futuro – apenas caso saibamos salvar-nos e lutar por ele.

“A Humanidade está confrontada com novos perigos sem equivalente na História e que exigem soluções globais inéditas; se estas não forem encontradas num futuro próximo, nada do que constitui a grandeza e a beleza da nossa civilização poderá ser preservado” (p. 15).

Relativamente à primeira parte da sua obra, à qual dá o nome de “Vitórias Enganosas”, o autor refere desde logo que o triunfo primordial da União Europeia rapidamente se transformou em insegurança e dúvida. O debate deixou de ter espaço como antes e o mundo tornou-se menos universal, racional e laico – as democracias começaram a defender promessas identitárias, o que teve um efeito destruidor para algumas culturas. Tendo como exemplo o Islão e o Ocidente, o autor justifica aquilo que parece ser uma luta eterna, já que 1) o Islão é incapaz de adotar valores defendidos pelo Ocidente e 2) o Ocidente ter uma vontade de dominação universal à qual os muçulmanos querem resistir, uma vez que segundo o Ocidente, estes não quiseram aceitar os valores do regime democrático – algo que o autor refuta, dizendo que o Ocidente não nem sequer tentou impor os seus valores.

Com o avanço dos meios de comunicação, hoje sabe-se de tudo o que se passa no mundo de forma quase instantânea. No entanto, este avanço deverá ser acompanhado de uma tomada de consciência no que toca à preservação das populações. O que está em causa é o espaço que existe entre a evolução tecnológica e a moral, esta última demasiado lenta, que não nos permite fazer face às consequências da saída do isolamento.

Relativamente à estigmatização do poder público, mudou com o aparecimento da internet, a generalização do correio eletrónico e o desenvolvimento de meios de comunicação como o telemóvel, que destroem a distância e amplificam a repercussão dos acontecimentos. Posto isto, o século XXI começou num novo clima mental, mais sensível e diferente de tudo. Hoje quase todos temos acesso a tudo de forma instantânea e em todo o lado. No entanto, este avanço tecnológico coincidiu com o fim do confronto de dois blocos planetários – a desintegração da União Soviética e do campo socialista e o surgimento de uma superpotência que exerce uma “soberania” mal aceite em todo o mundo. O autor faz referência à obra A Study of History, de Arnold Toynbee, que refere três grandes épocas, em que a ultima corresponde precisamente a uma unificação, pelo menos tecnológica e economicamente – não contemplando ainda o plano político. Neste plano surge então a questão dos Estados Unidos enquanto detentores de uma autoridade planetária, na medida em que “o seu sistema de valores tornou-se a norma universal, o seu exército tornou-se a polícia global, os seus aliados tornaram-se vassalos e os seus inimigos elementos fora-da-lei” (p. 88). Coloca-se aqui então a questão da legitimidade do poder a nível planetário – Maalouf acredita que para que seja aceite um poder global, é necessário que este seja visto com uns olhos diferentes daqueles que olham para o poder económico ou militar, na medida em que, a partir do momento em que existe uma civilização predominante, aqueles que não a vêm com bons olhos vão certamente dar ouvidos aos que apelam à resistência e ao afrontamento violento sobre esta mesma potência.

Na segunda parte da sua obra, à qual dá o nome de “As legitimidades perdidas”, Maalouf diz que o avanço tecnológico foi o que tornou possível a concentração do poder político essencialmente numa grande potência, o que gerou tanto disparidades como equilíbrios/desequilíbrios nunca antes vistos – é a partir daqui que o autor traz ao de cima o conceito de legitimidade, que define como sendo aquilo que permite aos povos e aos indivíduos “aceitarem sem um excessivo constrangimento a autoridade de uma instituição personificada por homens e considerada como portadora de valores partilhados” (p.99) – valor este que se altera consoante os seus êxitos. O autor aborda ainda com alguma profundidade a questão da existência de uma legitimidade patriótica, tida como a existência de uma figura que representa toda a pátria, sendo esta seguida e apoiada por todos – esta figura tem então de pensar e repensar em tudo o que faz, de forma a que tudo seja entendido e visto com bons olhos – para não perder a legitimidade.

Maalouf diz que os Estados Unidos são, para além dos beneficiários deste desregramento que se vive hoje, as vítimas, devido às relações pouco saudáveis que mantém com o resto do mundo. Com o passar do tempo, temos passado a viver também sobre um desregramento económico, devido ao facto de o dinheiro, os resultados financeiros, os lucros e a desvalorização das consequências se terem tornado virais e muito presentes – algo que poderá também acabar com todas as regras da nossa escala de valores.

Na parte final da obra, com o nome de “As certezas imaginárias”, o autor diz que a salvação para o desregramento que vivemos hoje passa pela salvação das nossas culturas – sendo que ele considera a cultura “fornecer aos nossos contemporâneos os instrumentos intelectuais e morais que lhes permitirão sobreviver – nada de menos” (p. 182). Dizendo que temos de preservar aquilo que temos e não abusar disso mesmo para que possamos sobreviver saudavelmente durante muito mais tempo, Maalouf defende que o aumento desenfreado do consumo esgotará os recursos que temos disponíveis e que temos de encontrar novas formas para satisfazer os nossos desejos e necessidades de consumo.

Posto isto, é então essencial que a cultura passe a estar no centro da nossa escala de valores, na medida em que é ela que nos permite conhecer o outro de uma forma não grosseira nem superficial, mas sim com gentileza. Acreditando que é nas nossas mãos que está o nosso futuro e que nós é que temos o poder de o escrever e construir, Maalouf diz ainda que a nossa época “oferece ao Ocidente a possibilidade de restaurar a sua credibilidade moral“(p.218) tanto para com o resto do mundo como para com aqueles que nele habitam – referindo ainda que ou o Ocidente consegue reconquistá-los, ou estes serão o seu maior problema.

“Para que o passado se torne passado não basta que o tempo passe”. (p.225)

A ideia passa por entender que as civilizações ao redor de todo o globo não são estáveis nem eternas. Elas mudam com o tempo, são movediças e adaptam-se a quem nelas habita – tanto em termos da existência de uma civilização humana como de várias civilizações compostas por humanos, pois há sempre algo que distingue uma da outra e há aquela, geral, em que todos embarcamos desde que nascemos até que morremos. Com um mixed-feeling entre a inquietação e a esperança, o autor crê que há cada vez menos soluções e que a solução ótima passa então por, como refere desde o início, criar uma civilização universal e agir perante tudo aquilo que nos abala – desde o terrorismo ao aquecimento global -, e agir pensando nas consequências a longo prazo e não nas mudanças que vão ocorrer amanhã caso eu atue hoje. É neste sentido e com esta finalidade que devemos então unir-nos. Lutar por aquilo que queremos mas que é também o melhor para nós – Humanidade. E não nós – Eu. É necessário e urgente que exista uma mudança a grande escala, à maior escala possível, pois caso essa mudança urgente não aconteça proximamente, estaremos então à beira de um abismo criado e programado por nós mesmos enquanto consumidores e detentores de uma vontade tão própria quanto demasiado individual.

Nobreza de Espírito

Na sua obra “Nobreza de Espírito”, Rob Riemen começa por fazer uma exposição daquilo que o motivou à escrita da mesma, bem como do seu formato, sendo que toda a obra, dividida em três ensaios, tendo sempre como base essencial e principal a questão e o conceito de Nobreza de Espírito. Numa primeira instância, o autor remete-nos para a questão da sociedade e daquilo que tem acontecido com a mesma.  Já numa segunda parte, o autor acaba então por fazer uma espécie de review do trabalho e das ideias de Thomas Mann – que defendia que só os valores do Humanismo podiam proteger a civilização da barbárie e do fundamentalismo. O autor faz ainda uma referência a Mann na medida em que este continuou sempre a trabalhar na sua obra apesar de dificuldades como a grande guerra ou mesmo o suicídio do seu filho.

Nestes dois primeiros momentos, podemos então entender com claridade um pouco acerca do autor, das suas pretensões e daquilo que o motiva na escrita da obra – ambas as partes estão escritas num tom documental e acabam por estar interligadas pelas conversas com Elizabeth Mann Borgese – filha de Thomas Mann.

A última parte da obra encontra-se dividida em dois capítulos e é neste “final” que se encontra a verdadeira essência de toda a obra, onde se mistura realidade e ficção numa colagem de textos que abrange autores como Sócrates, Platão, Espinoz, Nietsche, Goethe, Whitman e ainda Leone Ginzburg, no último capítulo, acabando por lhe prestar homenagem através da criação de um diálogo que terá acontecido entre o mesmo e um colega da universidade convertido ao fasciscmo. Aqui podemos encontrar associações às elites intelectuais de hoje, rendidas aos media, que se rendem ao medo em prol do seu bem-estar financeiro e social – a ideia é a de que nada é melhor do que adaptarmo-nos às circunstâncias, deixando de lado a liberdade de pensamento individual.

No fundo, o grande objetivo da obra acaba por ser a busca por uma definição da dita Nobreza de Espírito, o que acaba por não surgir por não ser possível defini-la numa frase, parágrafo ou obra. A ideia que Riemen nos quer passar essencialmente é a de que o diálogo e o debate são a única via real e que não é possível encontrar respostas prontamente, ao virar da esquina, ou soluções que nos levem os problemas e preocupações.

Aquilo que nos é possível identificar através da leitura da obra é que existe uma enorme dificuldade em encontrar alguém, hoje, que seja efetivamente nobre. As questões sociais e políticas da atualidade acabam por afetar muito o pensamento nobre e a questão da nobreza de espírito entendida como o ponto de partida para a verdadeira liberdade, que por sua vez nos leva ao respeito. Então, aquilo que acontece nos dias de hoje acaba por ir contra aquilo que são os ideias apresentados por Riemen relativamente à nobreza de espírito, o que acaba, consequentemente, por comprometer a nossa liberdade.

Hoje em dia, e ao contrário do que acontecia no início da civilização, os intelectuais traem os seus povos, no sentido em que associam as suas distinções de bem e de mal às suas convicções políticas. Neste mundo atual, o que importa é a utilidade das coisas e a obtenção de dinheiro da forma mais fácil possível. Cada um faz o que quer e organiza a sua vida da forma que melhor entender. A questão colocada aqui é então onde está, no meio disto tudo, a nobreza de espírito? Aquilo que constituía e permitia a existência de pessoas nobres já não existe – a liberdade deixou de ser um valor de dignidade e passou a representar o que é fácil, rápido e traz algo em troca.

Nesta fase da sua obra, Riemen apresenta-nos as razões para as quais tenha existido uma traição à nobreza de espírito. Em primeiro lugar, fala-nos do poder enquanto meio para ser influente, ouvido e falado; em segundo lugar, a má fé em relação aos valores da nobreza de espírito; e em terceito lugar, a falha dos intelectuais em se terem tornado corruptos ou demasiado excêntricos para governar.

Ora, tendo em conta a ideia de que a nobreza de espírito é então a quinta-essência de um mundo civilizado e que, sem ela, não existe cultura – e que vivemos num mundo em que a dignidade humana e a liberdade estão em perigo, não podemos hoje falar numa plena nobreza de espírito. Isto, do ponto de vista comunicacional, prende-se essencialmente e justifica-se pelo aparecimento e crescimento exponencial de novas formas comunicacionais. O mundo em que vivemos hoje foi criado e impulsionado por uma série de novos meios como a internet e, mais concretamente, pelos social media – que assumem grande papel na aceleração dos tempos e na intemporalidade das coisas, que Riemen crítica e refere que impede a existência de uma nobreza de espírito.

Estes meios de comunicação existentes hoje gerou um sentimento de adoração profunda associada à instantaneidade da obtenção de informação relativa a qualquer coisa. Ao mesmo tempo, permitiram que todas as pessoas tenham uma voz ativa, na medida em que todos podem expressar a sua opinião e todas as opiniões acabam por ter o mesmo valor – valor esse baseado em fatores numéricos como um like, uma partilha ou uma visualização, o que acaba por não refletir o valor real daquilo que é dito, já que quem visualiza o conteúdo pode não estar a expressar o seu “gosto” real ou pode querer transmitir até uma certa ironia através desse mesmo gosto num qualquer post e, para quem contabiliza esses valores, não tem ao seu dispor ferramentas que permitam então avaliar a veracidade dos valores apresentados e obtidos.

Neste sentido surge então a necessidade de uma mudança urgente para que, no futuro, não vivamos num mundo onde não existe cultura nem valores mas apenas uma sociedade modelada pela modernidade das coisas. Esta mudança tem de acontecer na medida em que apenas com ela poderemos reerguer o mundo intelectual que traz consigo os valores que necessitamos para a (re)construção da nobreza de espírito. Neste sentido, a Comunicação tem de deixar de assumir um papel negativo e passar a conciliar as suas capacidades com aquilo que é exigido e essencial nessa reconstrução.

“Não basta interpretar o mundo, nem sequer transformá-lo; antes de começarmos pelo mundo, devemos começar por nós.”

Rethinking the Enterprise

A grande questão colocada por Philippe de Woot na sua obra Rethinking the Enterprise prende-se muito com as questões do progresso da ciência e da tecnologia, na medida em que as organizações são vistas como as principais mediadoras entre a sociedade e a ciência. O que é essencial questionar aqui então é se essas mesmas organizações são ou não fontes de progresso? Hoje, a ligação entre o crescimento económico de uma organização e o bem comum que esta gera torna-se cada vez menos clara – a globalização, a aceleração da tecnologia e a falta de regulação global deu uma enorme autonomia económica ao sistema de poder, que acaba por agir de acordo com os seus interesses individuais e critérios como a rentabilidade e a competitividade. Embora este modelo provoque, de algum modo, crescimento económico, está fora de controlo e gera fenómenos de injustiça e desintegração social.

Conhecendo o mundo como o conhecemos hoje, século XXI, surgem, segundo o autor, desafios como a implementação de um modelo de desenvolvimento mais sustentável, a manutenção dos mercados e das sociedades, a implementação de um dinamismo empresarial em prol do bem comum, a incrementação do emprego, a reindustrialização dos países ocidentais, promovendo o desenvolvimento de países emergentes. Tudo isto nos leva a afirmar que o empreendorismo é o agente central da atuação das organizações.

Nos dias que correm, as empresas têm grandes capacidades: conseguem controlar a maioria dos recursos e estão numa posição favorável para os reter, fazer escolhas estratégicas e orientar o desenvolvimento económico, controlando o ritmo de crescimento – isto dá-lhes então um poder real sobre o desenvolvimento de países e regiões, aumentando claramente a sua responsabilidade social.

Tendo em conta que a globalização está a avançar muito mais depressa do que o pensamento dos governos e o surgimento de regulamentação, esta tem vindo a impor a sua lógica em todo o mundo. A falha de acompanhamento da vida económica leva a um certo sentimento de impotência, levando a que os países se tenham vindo a tornar demasiado pequenos para os grandes problemas que enfrentam. Hoje, as pressões do sistema são mais fortes do que as convicções de quem o executa – a perseguição pelo desempenho financeiro remove toda a ética desta atuação e da sua dimensão.

Ainda que a economia tenha vindo a ser capaz de atenuar as diferenças entre países, criando uma “classe média global”, as diferenças dentro de cada país continuam a crescer – um dos maiores desafios passa então por conciliar o dinamismo da economia com a justiça social. As desigualdades não se resolvem por si mesmas, sendo então necessária uma vontade política – a de transformar o modelo, tornando-o capaz de gerar maior sustentabilidade e um desenvolvimento mais justo. No mundo do trabalho, o sentimento que prevalece é o de desconfiança entre o empregado e o chefe, fruto do desaparecimento da noção de solidariedade entre estes. Hoje, os homens são nada mais do que peões num jogo que é jogado fora do seu controlo. E esse sentimento de não poderem controlar e de terem noção de que existem forças além do poder dos governos que elegem diminui a confiança dos cidadãos nas suas instituições e nos seus líderes.

Se queremos realmente que a situação atual não compile num desastre, é imperativo restaurar a ética e a dimensão política da economia. Num mundo em que as organizações já não têm uma orientação clara, é totalmente necessário que estas estejam direcionadas para os objetivos – definir a Raison D’Etre de uma organização significa concordar em colocar a sua ação no contexto mais amplo da ética e do bem comum, sem os quais não existe legitimidade política ou moral. É então necessário reconhecer que a organização não é um fim em si, mas que serve um interesse público que vai além do seu interesse individual.

É necessário abandonar a ideia de que a única responsabilidade social de uma empresa é maximizar o lucro para os acionistas. A cultura de uma empresa representa os seus genes – os seus valores, o seu comportamento e o seu clima. Neste sentido a cultura surge como o seu “poder suave” – é neste nível que a mudança é sustentável, mas que a resistência à mudança é mais forte. A questão é se o lucro não é o único critério de decisão económica, então que outros critérios devem estar neste campo para alterar a cultura de uma organização? Se uma organização quer tornar a o seu desempenho em progresso, a dimensão ética revela-se muito importante, bem como a política, na orientação de escolhas e comportamentos. E não é aceite que encaremos a ética como um interesse, assumindo que tudo o que fazemos nos vai dar algo em troca, seja monetário, moral, ou simplesmente para ganhar fama.

Não podemos, então, ficar indiferentes ao barulho do sofrimento dos outros. “A indiferença torna-nos surdos e cegos” – é uma negação da humanidade.

Na prática efetiva de CSR, três linhas de atuação devem ser tidas em conta: o desenvolvimento de produtos/serviços que atendam às necessidades de todas as partes interessadas; o estabelecimento de novos processos para medir e limitar os efeitos do negócio; o aumento da participação na melhoria da qualidade de vida das comunidades locais – hoje em dia já existem organizações que tendem a conciliar a preservação de recursos com o dinamismo económico, na medida em que, por exemplo, marcas automóveis já investigam e inovam na conceção dos produtos de modo a reduzir o seu efeito ambiental.

No que toca às desigualdades sociais, o autor refere que existem já alguns exemplos de organizações que tendem a ser não só criativas como inovadoras no combate a estas mesmas desigualdades. A inovação social não só melhora o bem-estar geral como reforça a sua capacidade de mudança, sendo que a responsabilidade social deve ser o seu mote. Uma das funções dos líderes passa então por conduzir a organização como uma realidade humana, para motivar os colaboradores e iniciar uma mudança cultural de modo a que a cultura se torne mais ética e sustentável. O local de trabalho deverá ser um sítio de hospitalidade, de ouvir, de cuidar, um lugar que possa efetivamente ser chamado pelo nome, que aceite fragilidades e reconheça os outros, que os faça existir e os ajude.

Esta nova forma de cultura corporativa envolve o desenvolvimento da ética como um núcleo que pensou nos seus diferentes níveis de atuação e em cada uma das suas funções. Para que isto aconteça é necessária a existência de um espaço ético nas organizações, onde este processo cultural é visível, ativo e contínuo. Mas a implementação deste desenvolvimento sustentável só acontecerá caso exista uma cooperação entre todas as partes. É um grande desafio e todos os intervenientes precisam de se unir.

Unindo todos estes pontos, e assumindo tudo isto da perspetiva das RP, é então necessário e evidentemente urgente que aconteça uma mudança na forma de pensar das RP – é necessária uma inovação, na medida em que estas têm de olhar as pessoas como pessoas e não como meios para atingir os seus fins. Neste sentido, os profissionais de RP, que tanto ouvem falar sobre Corporate Social Responsability, têm carta branca para atuar, não só interna como externamente, assumindo uma responsabilidade acrescida no que toca à tomada de decisões que vão afetar um grande número de pessoas. Assim, é essencial que estes profissionais estejam convenientemente informados e conscientes de tudo o que os rodeia, para que não caiam em erros e contribuam para a continuação de uma desvalorização da CSR.

A Ideia de Europa, de George Steiner

Goerge Steiner coloca desde logo na sua obra A Ideia de Europa (2005) a questão de saber pensar europeu. O que é isto então e o que está dentro de nós que nos diferencia do resto do mundo? É basicamente a isto que Steiner quer responder, colocando-se perante cinco axiomas que permitem então definir o espaço europeu, colocando-nos perante a influência das atrocidades, ceticismo e descrença de que a Europa tem sofrido, sendo que nem sempre esteve caída aos seus próprios pés e teve já, em tempos, os seus momentos de glória e de força.

Numa primeira instância, o autor refere-se ao café, dizendo que, ao fazer-se um mapa das cafetarias da Europa, se obtém um mapa com os marcadores principais da “ideia de Europa”. O café surge aqui como um local de sociabilidades geradoras e transmissoras de conhecimento, valores e sensibilidades – estes locais, portadores de singularidades e de identidades próprias, refletem as especificidades culturais, segmentações sociais e dinâmicas temporais vividas em cada época. Steiner reforça ainda que um café na Europa continental não é igual a um pub inglês ou a um bar irlandês, do mesmo modo que todos estes são diferentes de um bar americano – diferentes no ambiente, no conteúdo e nas realidades humanas que por eles passam.

De seguida, Steiner faz referência à paisagem a uma escala humana que possibilita a sua travessia, dizendo que “A Europa foi e é percorrida a pé”. Segundo o autor, existe uma “relação essencial entre a humanidade europeia e a sua paisagem. Metaforicamente, mas também materialmente, essa paisagem foi moldada, humanizada, por pés e mãos. Como em nenhuma outra parte do globo, as costas, os campos, as florestas e os montes da Europa, de La Coruña a S. Petersburgo, de Estocolmo a Messina, tomaram forma, não tanto devido ao tempo geológico como ao tempo histórico-humano.” Tal como aconteceu com o primeiro axioma relativamente às cafetarias, o autor faz o contraponto da Europa face aos outros continentes, distinguindo-a de todos eles. No fundo, Steiner diz que na Europa tudo é sufocantemente perto e pequeno, contrariamente à magnitude topográfica dos restantes continentes.

Em terceiro lugar, surgem então as ruas e as praças nomeadas segundo estadistas, cientistas, artistas e escritores do passado. Aqui, o autor refere o facto de, na Europa, os nomes dados às praças, ruas e locais serem nomes de personalidades do passado histórico, reforçando então a ideia de que cada canto da Europa tem o peso da sua história às costas. Ao dizer que “Um europeu culto é apanhado na teia de umin memoriam simultaneamente luminoso e sufocante”, o autor traz a ideia de que todos estamos sujeitos a perceber a nossa história quer queiramos quer não, já que nos cruzamos com ela todos os dias por todos os lados – ao contrário de outros lugares como a América, onde as ruas são meramente numeradas.

O quarto axioma surge como a herança dupla de Jerusalém – “esta relação, simultaneamente conflituosa e sincrética, ocupou o debate teológico, filosófico e político desde os doutores da Igreja a Leon Chestov, de Pascal a Leo Strauss. (…) Ser europeu é tentar negociar, moralmente, intelectualmente e existencialmente, os ideais, afirmações, praxis rivais da cidade de Sócrates e da cidade de Isaías” – com isto, quer o autor reforçar a ideia de que foram estas heranças que permitiram a música, a matemática e o pensamento especulativo. O desenvolvimento de ideias que aconteceu na Europa apenas foi possível tendo as suas raízes nestas duas cidades, de onde partiu para o resto do mundo, sendo que é a filosofia, o vocabulário e a matriz bíblica que pintam a ideia de Europa a traço grosso.

Por fim, e tomando o quinto axioma, surge uma consciência própria e escatológica. Aqui, o autor refere que uma das marcas da Europa é realmente o facto de esta pensar-se a si mesma como tendo um fim, associando-se a uma ideia de tragédia constante – “é como se a Europa, diversamente de outras civilizações, tivesse intuído que um dia ruiria sob o peso paradoxal dos seus feitos e da riqueza e complexidade sem par da sua História. Duas guerras mundiais, que, na verdade, foram guerras civis europeias, conduziram a esta intimação ao ponto de ebulição”.

 

No fundo é sobre estes cinco “pensamentos” que Steiner traça o que para ele são as fronteiras da ideia de Europa. Na obra, refere ainda que o modelo está a ser engolido e diluído numa cultura globalizada, acossado por uma uniformização mercantilista e consumista. Aqui, o autor acaba por revelar um pouco de angústia e tristeza, na medida em que o sonho europeu que ele mesmo idealizada pode estar em risco devido à globalização – para evitar isto, é necessária e urgente uma reafirmação do espaço e do mundo europeu ao resto do Mundo, de modo a que não aconteça aquilo a que Steiner se refere como uma “americanização”.

Deste modo, e tendo em conta tudo aquilo que o autor nos diz ao longo da sua obra, cabe-nos então a nós, europeus em todo o mundo, pensar, compreender e defender o nosso legado, que tem os seus momentos altos e baixos, como tudo aquilo em que o Homem está envolvido. A ideia e a certeza que ficam é o facto de, ao conhecermos o nosso passado, compreendemos o presente e conseguimos projetar o futuro. Depende então de nós, ao conhecermos o passado da Europa, sabermos dar-lhe o futuro que merece.

Nova Era, novos caminhos

Hoje em dia e, seguindo a perspetiva de Serres, com a qual todos temos de concordar, vivemos numa sociedade em que as pessoas acabam por se deixar formatar um pouco pelos media que nos rodeiam – as crianças, hoje, habitam o virtual. “As ciências cognitivas têm mostrado que o uso da Internet, ler ou escrever mensagens, consultar a Wikipedia ou o Facebook, não estimula os mesmos neurónios ou zonas corticais que o uso de um livro, caderno ou quadro”. Através do uso de um telemóvel, temos hoje acesso a todas as pessoas e através do gps, a todos os lugares. Posto isto, é legítimo assumir que, através da Internet, temos acesso a todo o conhecimento.

Hoje, já não comunicamos da mesma forma nem entendemos o mundo da mesma maneira. Já não habitamos a mesma natureza que os idosos – escrevemos de maneira diferente, falamos de maneira diferente, e quase já não falamos a mesma língua. A linguagem mudou e, consequentemente, o trabalho sofreu uma mutação.

Apesar de os adultos estarem do outro lado de uma espécie de “linha de falha” que nos distingue, estes ainda estão a ensinar os jovens em estruturas institucionais que vêm de um tempo que estes já não conhecem. Edifícios, parques infantis, salas de aula, campus, bibliotecas, laboratórios e formas de conhecimento foram feitos para uma época em que tanto o mundo como as pessoas eram uma coisa que já não são hoje.

Serres coloca, neste ponto da sua crítica, três questões: O que transmitir? A quem transmitir? Como transmitir? Se o objetivo é transmitir conhecimento a todos, então não há qualquer papel humano nisto – a informação e o conhecimento já está acessível a quase todos. Apresenta-se objetivado mas, mais importante que isto, apresenta-se distribuído – hoje, o conhecimento já não é concentrado. Já não vivemos em espaços de conhecimento métricos como as salas de aula ou bibliotecas. Podemos aceder à informação praticamente em qualquer lugar e chegar às pessoas a qualquer hora. O nosso espaço de concentração acabou então por ser diluído e expandido, na medida em que, se eu posso falar com alguém em qualquer sítio e o outro me ouve em qualquer sítio, mesmo em casa, o que estamos nós a fazer em determinados sítios?

É então necessária uma mudança, não só no ensino mas em todas as instituições. No entanto, esta mudança ainda está longe. As instituições atuais brilham com o brilho de uma constelação que está longe – ou seja, têm potencial, têm ideias definidas, mas estas não estão de acordo com aquilo que é a nossa realidade hoje em dia. É necessário modernizá-las, na medida em que têm de ser concordantes com o tipo de pessoas que nelas vão exercer funções.

O autor refere também que, devido à Imprensa, a escrita se encontra em todo o lado: “escondida em paisagens, painéis publicitários, sinais de trânsito, placas de rua, horários nas estações de comboios, power points nas aulas, revistas, jornais…” – no entanto, a página guia-nos e o ecrã reproduz a página. Já não há uma necessidade constante de recorrer à escrita que está presente fisicamente em todo o lado, pois apenas com o peso que está nos nossos bolsos conseguimos ter acesso à mesma informação, sem que nos seja exigido um desvio de atenção ou uma locomoção.

Até hoje, os professores oralizavam o que estava nos livros. A questão que surge aqui é o porquê de por exemplo, os estudantes, falarem descaradamente nas aulas. Isto acontece porque, na cabeça deles, já têm todo o conhecimento que lhes foi prometido por determinado grau de ensino. Tudo o que querem, quando quiserem, está nas mãos deles. Está acessível em qualquer portal, via web, na wikipedia. É explicado, documentado, ilustrado, sem erros. A voz do passado já não é necessária, sendo que começa já a haver uma certa abertura de alguns professores para “aprenderem com os alunos”, na tentativa de os envolverem mais e de os conseguirem motivar para estarem minimamente atentos.

Os espaços escolares foram reformatados pela noção de hierarquia, na medida em que esta foi diretamente inscrita na postura do corpo. Todos estão focados num ponto mais alto, onde está o professor, que exige silêncio e imobilidade. Esta hierarquia pedagógica acaba por ser reproduzida em vários espaços como as salas de audiências, os teatros, os tronos, os altares das igrejas. Agora, finalmente, os corpos podem sair desta espécie de “caverna” que acabou por se tornar perturbadora. O espaço da sala de aula permite a distribuição de conhecimento para todos os lugares, sendo possível que todos se movam livremente num espaço homogéneo  e descentrado.

Serres trata ainda o conceito de “abstrato”, dizendo que cada ideia abstrata traz consigo uma economia de pensamentos, e acrescentado que a abstração pode ser, às vezes, substituída por um mecanismo de pesquisa. Não temos uma necessidade inevitável de conceitos, apenas precisamos deles às vezes – mas nem sempre.

Segundo o autor, os empregos hoje tornam-se cada vez mais escassos, devido ao aumento da produtividade e da população mundial. Thumbelina refere, neste ponto, a sua vontade de ter um emprego benéfico: não só em termos monetários, mas benéfico para a sua felicidade também. Uma vez que existem apenas indivíduos, que a sociedade se organizou à volta do trabalho e que tudo gira à volta dele – mesmo o que não tem nada a ver -, Thumbelina tinha esperança de encontrar satisfação naquilo que fazia. Na verdade, ela não teve – está entediada e tenta imaginar uma sociedade que não gire apenas à volta do trabalho.

As vozes que existem entre os médicos, polícias e cidadãos são cobertas pelos meios de comunicação “como uma raquete ensurdecedora e anestesiante”. No entanto, e pela primeira vez, quase todos os indivíduos têm uma voz que pode ser ouvida. Então, todo o mundo quer falar, toda a gente comunica com o outro através de inúmeras redes – este tecido de voz acaba por se harmonizar com a web: ambos estão sincronizados um com o outro.

O facto é que hoje não podemos ignorar aquilo que está ao nosso dispor na Internet. Grande parte das coisas que lá estão ao nosso dispor vão certamente ensinar-nos algo, quer sejamos professores, médicos, advogados, CEOs, entre outros. A experiência de pessoas “vulgares” , aquilo a que elas têm acesso, pode certamente culminar em algo que nos acrescenta em algo: por exemplo, houve oncologistas que admitiram ter aprendido mais em blogs de mulheres que escrevem quando sofrem de cancro da mama, do que aprenderam na escola. Este tipo de partilha de informação acaba por ser essencial na formação dos indivíduos enquanto serem que dão e recebem de bom grado tudo aquilo que puderem – o conhecimento. O tradicional ensino já não cumpre mais aquilo a que se predispôs. Na atualidade, temos de juntar o que aprendemos na escola com o que podemos aprender no resto do mundo: através da experiência, da Internet e de todos os outros meios que são capazes de nos ensinar algo.

Olhando para tudo o que foi dito anteriormente e pensando as RP, pode concluir-se que também elas têm uma necessidade de adaptação constante aquilo que são as mudanças diárias no mundo. Todos os dias acontecem coisas totalmente novas e, enquanto profissionais de RP, tem de existir uma grande abertura para esses novos conhecimentos. Do mesmo modo que as escolas têm de se adaptar a esta quase nova espécie de indivíduos, também as RP precisam de uma constante adaptação aos mesmos – não só ao chegar até eles pelos meios que utilizam, como a entendê-los, utilizando os mesmos meios. Para as RP é então essencial que exista um entendimento profundo sobre tudo aquilo que é bom para a geração de hoje – só assim vai ser possível atingi-la, captar a sua atenção e, mais importante, fazê-la interagir, dando feedback sobre tudo.

Posto isto, pode concluir-se que as RP são uma ferramenta com um grande potencial – ainda por explorar – na era tecnológica que vivemos nos dias que correm. Com acesso aos meios e influência nos mesmos, as RP têm todo o espaço necessário para agir, criar e manter relações com os mais diversos públicos – nem que para isso tenha tanto de escrever em papiro como chegar aos mais novos através de uma linguagem e dos meios apreciados pelos mesmos. No fundo, são estes “mais novos” os novos públicos que todos teremos de enfrentar no futuro. Para que tal seja possível sem criar aversões ou guerras desnecessárias, é apenas necessário deixar para trás o que é antigo e protagonizar a tal mudança referida por Serres, que ainda estava longe de acontecer. Somos nós que vamos ter de nos adaptar a eles e ao que eles tomam como correto e não ao contrário. Só com essa mudança radical na forma como atingimos um público é que é possível realmente atingi-lo – ou então continuaremos a falar em cima de ruído sobre conhecimento já adquirido.

 

Comunicar é (?)

Quando nos debatemos sobre aquilo que é realmente comunicar, as respostas continuam a ser muitas e todas legítimas. Ao longo do tempo, vamos encontrando definições para isto que é “comunicar” que vão estando de encontro àquilo que pretendemos alcançar num momento exato – quer isto dizer que acabamos por adaptar essa mesma definição a autores, contextos e pontos de vista.

Na sua obra Metadiálogos, Gregory Bateson brinda-nos, de uma forma única, com aquilo que, a seu ver, é comunicar. A sua obra, composta por sete capítulos, é desenvolvida sob a forma de um diálogo entre um pai e uma filha – que lhe faz perguntas e às quais o pai responde. Através destes mesmos diálogos, são abordadas questões e conceitos como a Entropia (a questão de estar arrumado para mim e desarrumado para outro) ou a Comunicação Não Verbal (quando é abordada a situação dos gestos que os franceses fazem quando falam) – questões e conceitos estes que acabam por estar infiltrados nessa conversa mantida entre os dois sujeitos ao longo de toda a obra.

Não podemos considerar a Comunicação como uma transmissão de uma mensagem. Tal como o autor refere, “a ideia de que a linguagem é composta por palavras é um disparate” – a linguagem, e consequentemente a comunicação, é muito mais do que a existência de troca entre um emissor e um recetor, que passa a recetor e a emissor. Essa troca de informação entre indivíduos possivelmente gerará confusão e discussão – na obra, Bateson dá relevo a isto, dizendo que é precisamente o que nos leva a tomar conclusões diferentes e acreditar em ideias opostas e, funcionando como uma espécie de estrutura que nós próprios construímos, são essas discussões que nos permitem atingir um estado e uma conclusão final – aquilo em que realmente acreditamos e defendemos – sendo que o autor refere que tudo isto acontece de forma natural, como se de uma brincadeira se tratasse, pois não podemos encarar tudo de forma científica senão todos teríamos a mesma opinião sobre tudo.

Aquilo que acaba por se poder concluir da obra de Gregory Bateson é que é tão inato para nós comunicar que se torna complicado e difícil explicar ao pormenor como acontece esse processo. Daí surge a ideia de que comunicar é tudo aquilo que fazemos – os gestos, as ideias, a voz, as palavras, o olhar, as reações, a postura, o não fazer nada e estar calado, entre mil e uma outras coisas que todos fazemos desde que nascemos e que acabam por comunicar sempre algo a alguém. Não podemos de todo considerar a comunicação como algo adquirido e sabido pois a cada dia aprendemos mais um bocadinho sobre como podemos comunicar, mesmo sem que nos apercebamos de que o estamos a fazer. Ao relacionarmo-nos com pessoas diferentes, que não comunicam precisamente como nós, recebemos informação e aprendizagem deles e vice-versa , o que acaba por nos enriquecer e abrir horizontes para a questão da comunicação e daquilo que é realmente comunicar – algo que não podemos e acredito eu que nunca vamos poder definir com certeza o que é. Seguindo este raciocínio, é-nos então difícil definir algo muito concreto e verdadeiro para o que é realmente comunicar – porque comunicar é tudo aquilo que fazemos e estamos sempre a fazer coisas diferentes e novas.

Como é que o Conteúdo Visual pode impulsionar os esforços tradicionais das RP?

Aplicar o conteúdo não é so dirigi-lo para a melhor audiência. Manter um envolvimento direto com o público é o primeiro passo na construção de reputação recorrendo aos meios modernos de comunicação, assumindo uma comunicação nos dois sentidos, uma vez que os media continuam a evoluir sob formas que apoiam um diálogo sustentado – o que faz com a comunicação num só sentido perca o seu “encanto”.

Porque é tão importante afinal a criação de conteúdo visual?

A questão levantada passa por entender se os leitores têm alguma espécie de aversão à leitura ou se existe algo mais para além de uma atração por imagens, tendo sido tidas como conclusões as seguintes ideias:

– Os nossos cérebros foram feitos para o conteúdo visual: processamos mais rápido imagens do que texto e, como tal, as imagens provocam mais reações e sentidos do que qualquer outra forma de chegar até um público.

– O que é visual aumenta o entendimento: podemos ler sobre como fazer algo ou operar algum dispositivo; se tivermos imagens ou vídeos a acompanhar, compreendemo-los mais fácil e rapidamente.

– As imagens inspiram a partilha: se pensarmos em quantas vezes já vimos um artigo de texto tornar-se viral – comparativamente a fotos de gatinhos bebés, o Ice Bucket Challenge – não existe qualquer comparação em termos de alcance. Os números dizem-nos que os artigos com apenas uma simples imagem foram partilhados o dobro do número de vezes relativamente a artigos sem qualquer imagem.

O trabalho da Verizon “A better netkwork as explained by a door” prova-nos como os recursos vitais são efetivamente vitais na comunicação.

A cena abre com um uma multidão que corre para aceder à sua rede de telecomunicações através de uma porta metafórica. Como nem todos cabem de uma só vez, as personagens começam a acumular-se, congestionando a porta. Este anúncio simboliza uma falha que ocorre devido ao excesso de tráfico, que se resolve quando a porta finalmente se alarga, representando a confiabilidade da rede da Verizon.

Veja o vídeo AQUI.

Agora, releia o parágrafo anterior.

Quando vemos as pessoas a treparem a porta, percebe-se melhor a sensação de exigência que as personagens estão a ter perante a falha da rede. O impacto visual é gigante, e ainda maior quando comparado com o parágrafo lido antes de se ter acesso ao vídeo. O vídeo permite visualizar o stress sentido, o que permite uma comunhão entre os visualizadores e as personagens do vídeo, que não conseguem atravessar a porta. Esta é, provavelmente, uma emoção que já todos sentimos quando não conseguimos alcançar aquilo que desejamos.

O conteúdo visual são essenciais para qualquer tipo de comunicação, quer sejam cenas, vídeos, slides, etc. Ao adicionarmos imagens como suplemento, partilharmos vídeos ou incluí-los nos Comunicados de Imprensa, estamos a captar a atenção de todos.~

Como a nossa atenção enquanto espetador está a diminuir, a nossa forma de consumir e digerir a informação muda consequentemente. Para muitos departamentos de Comunicação, este tipo de comunicação significa muito mais do que apenas imagens – significam uma abordagem integrada que gera resultados favoráveis que, por sua vez, se alinham com os objetivos de negócios dos seus clientes.

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De facto, os factos falam por si. Quando falamos em números de retweets, verificamos que tweets com fotos têm um aumento de 35% no número de retweets comparativamente ao número que iriam obter caso não tivesse a foto.

 

Veja agora este Infográfico.

A sua análise permitiu concluir que:

– Os utilizadores de social media são 40% mais tendenciosos a partilhar conteúdo visual do que outros tipos de conteúdo;

–  É 50 vezes mais fácil de conseguir ter um vídeo na primeira página do Google do que qualquer outro tipo de conteúdo;

– Os infográficos podem aumentar em 12% o tráfico de um website;

– O conteúdo visual permite aumentar em 94% o número total de visualizações;

– As pessoas lêm, em média, apenas 20% do texto existente numa página web;

– 40% das pessoas respondem mais positivamente a informação visual do que a um simples texto;

– 75% dos indivíduos que ocupam cargos executivos vêm vídeos relacionados com o trabalho pelo menos uma vez por semana.

Perante toda a informação apresentada anteriormente, pode afirmar-se com certeza que o conteúdo visual aumenta, em larga escala, o número de pessoas que alcança: quer seja em números de retweets, à quantidade de atenção dada, ao próprio interesse pelo conteúdo, etc. Este tipo de comunicação, tendo em conta a era digital que atravessamos, torna-se essencial para o crescimento sustentável de uma organização, marca ou empresa. Ao atingirmos as pessoas da forma que elas mesmas querem ser atingidas, criamos uma relação de proximidade e confiança com as mesmas – sendo que é deste modo que se cria também uma espécie de fidelização entre a marca/organização/empresa e os visualizadores do seu conteúdo.